Entrevista 10/10

Entrevista professores

  • Quando iniciou sua profissão qual foi a maior dificuldade encontrada?
  • Você tinha interesse na matéria que dá aula desde pequeno ou foi um desejo despertado posteriormente?
  • Houve algum professor que te marcou de alguma forma? 
  • Como você lida com alunos que não possuem tanto interesse em sua matéria? Tem algo a dizer para eles?
  • Você se sente valorizado enquanto profissional? 
  • Você possui alguma didática especifica? Como faz para despertar o interesse dos alunos?
  • O que mais te motiva a ensinar?
  • Qual é sua opinião sobre a educação do Brasil?
  • O que tem a dizer para um jovem que quer ser professor?





Reta

Tem muita coisa que eu nunca entendi sobre mim. Tem vezes que eu me olho no espelho e tento simplesmente entender, retirar alguma informação que pode ajudar a compreender-me melhor, mas juro que não consigo. Sei lá, às vezes soa meio confuso tentar entender como minha cabeça funciona, como minhas emoções funcionam, como eu funciono. Parece que é em vão tentar fazer algo, então eu apenas sigo o ritmo de todos, tentando me encaixar num segmento tosco e ilógico que nunca me encaixei de fato, mas, ao mesmo tempo, estou sempre tentando fugir do monótomo, funcional. 
Eu juro que não sei o que eu sou e não sei o que eu vou ser. Não sei do que gosto, do que não gosto, do que sinto ou deixo de sentir. Eu simplesmente não sei. Eu mudo com o tempo. Mas o tempo é curto demais para eu me adaptar. Ora feliz, ora triste, ora chorando, ora sorrindo. Ora amando, ora detestando. É confuso. Meu relógio é confuso. Sinto como se estivesse lutando contra eu mesma por motivos fúteis. E quando eu percebo, é tarde demais. Já estou brigada com o meu eu, chorando e se debatendo por ser tão confusa assim. Sinceramente, gostaria de me entender melhor, mas será que se eu fizer isso, algo vai mudar? A realidade é tão confusa e gira ao meu redor... eu não consigo acompanhar.

Je t'aime

Eu poderia dizer que você foi capaz de dar luz e cores à essa visão tão monocromática e vazia dessa rotina banal que vivia, mas soaria clichê demais? Talvez soaria clichê demais, sim, mas, me perdoe, querido, eu sempre fui banhada de clichês. Sempre sonhei com um amor pra vida inteira, sempre sonhei com um mar de rosas enfeitando o meu peito sem emoções até então...
Quero dizer, sempre não, até porque nunca havia conhecido o amor de fato. Nunca havia sentido até então o sentimento tão incrível e inimaginável que agora se faz presente quando estou ao seu lado.
Às vezes eu sinto que só sua presença basta para me trazer alegria, o que é a mais pura verdade.
Eu nunca havia me sentido dessa forma antes.
É bom saber que estamos finalmente sendo capazes de colocarmos todos esses sentimentos escondidos à tona, porque eu os guardei pra mim por tanto tempo que agora soa insuportável pensar mais uma vez nesta hipótese. Não quero deixá-los apenas para mim, quero ser capaz de deixar claro o quão incrível você é. O quão incrível sua presença é. O quão incrível você deixou a minha vida. Os meus sonhos, a sua presença, tudo se faz incrível ao seu lado.
Eu realmente te amo. Com todas as letras, com todas as palavras, e poder dizer isso em alto e bom som soa libertador.
Obrigada por estar presente em minha vida e por ser a luz que guia meus caminhos mais escuros e confusos...

Aceita, amiga

Eu não sei muito bem como dizer o que sinto, vejo e digo. Nada faz muito sentido. E nada deveria fazer muito sentido. Nunca foi decretado que tudo deveria uma razão de ser. Não nascemos com um manual de instruções ou com uma página aberta no FAQ com todas as perguntas respondidas de modo 100% coerente, sem nenhuma taxa de erro. Tudo foi feito como era pra ter sido feito, sem mágica, sem razão. Mas o ser humano sempre vai tentar responder de algum jeito aquilo que não tem resposta. "O que eu tô fazendo aqui?" "Por que eu tô aqui?" "Por que? Por que? Por que?". Aceita, amiga, não tem porquê, não, as coisas são assim mesmo, do jeito que tem que ser. Não tem porque gritar, chorar, espernear, só aceita. Aceita que no fundo você não sabe o que tá fazendo com a sua vida, que você se pergunta todo dia o que diabos sua vida está se tornando. Aceita logo, amiga, que você não tem tempo pra isso. Amanhã tu tem que acordar cedo, pegar a porra do busão e ir direto pro trabalho. Talvez, quem sabe talvez, você possa ter um tempo extra pra fritar um ovo na sua nova frigideira anti-aderente. Mas nem vem começar a pensar nessas besteiras, não. Nem vem. Aceita logo que é assim e pronto. 

Despirocar


"Faz tempo eu tô com azia
Durmo mal, tenho alergia
Quando acordo, nem bom dia
E a ducha fria ainda me dói
Em atraso permanente
Escolho a roupa, escovo os dentes
Abro a porta da frente e a luz do dia me corrói

Então eu me pergunto
Quando sobra algum segundo em que eu reflito sobre o mundo
Se funciona e coisa e tal
Concluo que tá preta a situação, pra lá de azeda
O leite que ainda sai da teta nem sequer é integral
Desesperado eu penso em gargalhar
Mas decido respeitar a minha dor
Talvez seja melhor despirocar
De vez, talvez, de vez
Talvez, de vez

No bus eu subo afoito, engolindo algum biscoito
Acotovelo logo uns oito, eu tô cansado e vô sentar
Depois do chacoalhaço, tô no trampo
E um palhaço mesmo me vendo um bagaço
Já começa a me ordenhar
Digito, atendo o fone, meio dia eu sinto fome
Me levanto sem meu nome e vou pra fila do buffet
Depois de dois cigarros, acomodo o meu pigarro
Me reponho de bom grado e termino o afazer
Desesperado eu penso em gargalhar
Mas decido respeitar a minha dor
Talvez seja melhor despirocar
De vez, talvez, de vez
Talvez, de vez
Talvez seja melhor despirocar
De vez, talvez seja melhor
Despirocar de vez
Talvez, talvez

Cansado eu chego em casa, o Willian Bonner me afaga
Me contando alguma fábula de algo que ocorreu
Requento qualquer rango, cambaleio até o meu canto
Ainda nem fechei o tampo e o meu corpo adormeceu
Desesperado eu penso em gargalhar
Mas decido respeitar a minha dor
Talvez seja melhor despirocar
De vez, talvez, de vez
De vez, talvez"

 — Apanhador Só

Eu odeio

Batom vermelho? Não, acho vulgar demais. Não gosto dessas roupas escuras, é coisa de velha. Cabelo curto? Jamais, acho esquisito. Nem a pau que vou usar uma bota dessas, tá fora de moda. Não gosto desse tipo de blusa, não, quem tem coragem de usar isso? Nossa, a Camilla tá usando aquele colete ridículo, não acredito. E esse cabelo? Que horrível. Não creio que a Berenice tá usando aquele salto alto. E ainda tá se achando a tal. É nariz empinado. Sempre fica dizendo que se acha bonita, isso que é ser a última bolacha do pacote. Não, não posso comer isso, tô de dieta. Não vou pra festa nenhuma, isso é coisa de quem não tem o que fazer, prefiro ficar em casa. Odeio essa gente que fica indo em balada. Odeio essa gente. Odeio essa gente que não sabe viver. Odeio essa gente que finge ser o que não é.

IDK

Tentando novamente, de novo e de novo... Estou tentando fazer com que meus sonhos deixem de ser apenas algo fictício e façam parte do que eu vivo. É difícil driblar as dificuldades com êxito, é difícil lidar com turbilhões de sensações que fazem parte do meu eu de agora. Penso que mudanças estão prestes a vir, para mudar por completo minha realidade obscura. Entretanto, o meu medo e pessimismo em demasia torna-se um pesadelo sem escapatória. Gostaria de alcançar aquilo que estou procurando, de poder expressar meu sentimentos com exatidão e, assim, poder compartilhá-los com aqueles que desejo, mas, infelizmente, minhas tentativas são inúteis. Dizer a verdade é um desafio quase impossível, e dizer o quanto eu quero... é insuportável.

Dedicando-se²

A determinação é definitivamente a chave para o sucesso. Ser uma pessoa empenhada e dedicada prova que você está apto para ser alguém produtivo na vida. E é por isso que estou tentando focar em aprender, mesmo que demore. Não quero me sentir ignorante, gostaria de aprender ainda mais. E para isso, tentarei focar em aprender tudo aquilo que não sei. Impossível, eu sei, mas a ideia de ter um conhecimento tão minúsculo é um pouco ruim e até mesmo assustadora... Mas tentarei ao máximo fazer com que minha ignorância me abandone aos poucos.

Dedicando-se

A determinação é a maior arma que você pode utilizar para conseguir o que quer. Basta ter empenho e dedicação e tudo aquilo que você planeja alcançar pode se tornar realidade e deixar de ser uma utopia sem fundamento. O problema é que são poucos aqueles que sabem como utilizar essa arma tão útil. Ignorá-la é um erro e tanto, já que usufruir dela é um grande benefício. Acredito que se eu tiver determinação para conquistar aquilo que eu desejo, posso conseguir, mesmo que no inicio aparente ser complicado. É uma das coisas que eu preciso focar, caso contrário, nada do que eu planejo dará certo.

Corromper

"Ninguém mais está aqui
Meu coração não está em lugar nenhum
Do vazio do meu coração
Você e todos os outros já se foram
Sozinha, eu olhei para a lua minguante desaparecendo do céu noturno
Você se foi..." 
— MYTH & ROID - Tough & Alone

O vermelho persegue-me. Roubando todo o espaço daquele pequeno cômodo escuro, o vermelho escarlate sempre persegue-me. Está dilacerando minha alma aos poucos, derramando minha sanidade até chegar a hora do momento final. Meu coração está dentro de você. Eu o guardei, porque sabia que você o protegeria até os fins dos tempos. Mas você escondeu de mim a verdade. Escondeu de mim que sua vida, diferente da minha e de todos, não era eterna. Deixe-me ao menos pegar o meu pequeno coração de volta... Agora é tarde demais, pois ele está maculado. Mas eu estou vazia. E esse vermelho está perseguindo-me. Preciso de você. Do seu abraço e do seu enorme sorriso para aquecer o meu interior. Mas eu estou vazia. O vermelho ainda está me corrompendo, até o último segundo. Incessantemente, eu não possuo mais escapatória. O seu rosto assustado, a sua última expressão, ela está fazendo meu corpo arrepiar-se por completo. O seu sangue... As suas últimas palavras... Estou trêmula. Não possuo mais escapatória para o vermelho. 
Estou completamente corrompida.
Por favor, traga de volta o seu sorriso até mim...
É o meu último pedido.
...
Lembro como era comum chamarmos todas as crianças da vizinhança para brincarmos na chuva do verão. Gostávamos de dançar, de saborear a sensação fascinante do vento soprando em nossas peles molhadas, do frescor do verão imerso as sensações de felicidade de cada um de nós... Você erguia-me para o alto e girava-me enquanto a chuva caía em meus cachos. Riamos, riamos até cansarmos de tanta alegria em nossos corpos. Seus olhos brilhavam, brilhavam tanto que eu poderia sentir à quilômetros de distância o seu calor. Simplórios, porém poderiam refletir toda a sua felicidade e alegria do momento. Eu poderia ver em seus olhos castanhos o meu sorriso de satisfação em estar ao seu lado. Depois todos esses momentos, no fim do dia, você encontrava um cobertor quente e encontrávamos juntos um bom lugar para descansarmos. Você me abraçava, contava um conto de fadas qualquer até eu pegar no sono e me aconchegava até o amanhecer.
Mas, neste exato momento, a chuva que molha minha face causa-me angústia. Insuportavelmente molha minha pele maculada, e insuportavelmente relembra-me os bons momentos que tivemos juntos. Ao carregar seu corpo, começo a sentir falta do arco-iris no meu interior. Agora todas as cores se foram junto de você e só sobrou-me o maldito vermelho. Maldito esse, que pinga no chão e em minha roupa a cada passo que dou. Maldito esse, que tinge o seu maravilhoso sorriso. Maldito esse, que trouxe-me para cada um de nós o gosto do fim.
Ajoelho-me no chão. O vermelho escorre comigo, em uma sincronia admirável. Fechando meus olhos, sentindo apenas a sensação dos pingos de chuva e das minhas lágrimas desesperadas sobre minha pele. Penso em como seria incrível ser capaz de desistir. De enfiar em meu peito uma adaga honrosa, que perfuraria pouco a pouco a minha pele e trazia finalmente a paz que sempre quis ter. De girar novamente contigo na chuva, de poder sentir o seu calor aconchegante novamente... De poder dizer as palavras que sempre quis dizer para ti em toda a minha vida.
Obrigada por todas as memórias incríveis que você me deu.
Obrigada por fazer parte de minha vida.
Mas, infelizmente, agora estou corrompida.
O vermelho finalmente corrompeu minha sanidade.

Procura-se

Sinto-me como se algo estivesse esvaindo-se de meu corpo aos poucos. Agora, estou a sua procura, mesmo sem saber seu real significado em minha vida. Procuro aquelas palavras simplórias, mas que estão imensas a complexividade. Procuro por aquilo que perdi. Aquilo que nunca tive. Aquilo que estou tentando alcançar. Procuro pelos reais significados daqueles sentimentos que são citados por todos que já sentiram, que marcam a vida e trazem um real sentido à ela, pela real dor ou alegria que estes simples sentimentos me proporcionariam. Estou inundada, coberta pelo impetuoso sentimento da solidão que me puxa cada vez mais para o vazio que estive fugindo em toda a minha vida.

Aleatoriedade matinada

Agora que estou aqui, com a oportunidade única de escrever tudo aquilo que estivesse pensando nos últimos dias, todos os pensamentos que ecoavam em minha mente desapareceram e deram lugar a minha indecisão. Agora que posso escrever, não sou capaz de pensar em nenhum assunto em especial para abordar aqui. É engraçado pensar que nunca consigo depositar minhas ideias em algum lugar. Sempre que preciso delas, elas fogem, como se tivessem medo de serem compartilhadas. Tudo aquilo que escrevi até hoje não se compara a quantidade de assuntos que gostaria de ter colocado no papel, mas infelizmente não pude, embora eu não possa explicar exatamente o motivo disso acontecer. Gostaria de ser capaz de colocar todos os meus pensamentos em um só lugar para todos lerem e compreenderem tudo aquilo que quero dizer (embora eu saiba que, levando em consideração a quantidade de pessoas no mundo, seria impossível uma quantidade considerável de pessoas terem algum tipo de interesse pelos pensamentos fúteis de uma garota de 14 anos). Um dia eu quero ser capaz de compartilhar aquilo que tenho vontade. Mas também gostaria de poder ler aquilo que todos ao meu redor pensam, quem sabe assim a comunicação se torne mais fácil. 

Eu admiro o fato de cada pessoa ter uma visão diferente do mundo. Porém muitos de nós lutamos por um mesmo ideal. Compartilhamos as mesmas vontades, os mesmos problemas, embora não pareça. Todos nós estamos sempre procurando algo, procurando aproveitar a vida ao máximo. Mesmo que as formas sejam diferentes, no fundo estamos tentando trazer algum sentindo ao nossos dias pacatos de vida. A cada dia que passa, estamos mais perto de alcançarmos a escuridão, mas também estamos adquirindo cada vez mais conhecimento, mais informações para armazenamos.

Eu acho que deveria parar por aqui. Estou com sono e pareço ter viajado vários quilômetros (ou metros, quem sabe centímetros) utilizando apenas palavras. É isso. Até mais.

Escrito dia 3 de fevereiro, provavelmente às 3:00.

Visita matinal

Abandonar o doce som da melodia 
Para dar olá ao som ensurdecedor das buzinas dos carros
O pijama quente nos dias de inverno
Para dar olá a roupa desconfortável do cotidiano

Cansada, é o que esteve me definindo
Eu não posso reclamar
Estamos estáticos, parados em um mundo apático
Fomos programados
Eu estou agindo como deveria?
O que eu devo fazer?

Antigamente, em dias fatídicos
Eu gritava e berrava para todos ouvirem
"Eu estou cansada", dizia 
"Gostaria de repouso"

Dias fatídicos ainda me dão olá
Mas necessito ficar calada
"Calada", eles disseram 
"Você não possui o direito de reclamar"

O tempo sufoca-me aos poucos
Sinto minha liberdade esvaindo-se
"Volte para mim", eu digo, " eu preciso de você"
"Aprenda a encarar a vida", ela dissera
"Nada é tão fácil quanto parece"

Em mais um dia fatídico com o calor sufocando-me
Acabo soltando uma lágrima
Ela escapa, sem permissão, como se estivesse implorando para sair
Junto, uma, duas, três, todas em conjunto
O que eu devo fazer?

Mais um dia fatídico vem, para dar-me o olá matinal
"Fazia tempo que não nos víamos" ele dissera
Mas eu estive recebendo sua visita dia após dia
O que eu devo fazer?
"Vá embora", eu digo, "apenas deixe-me em paz"

Minhas súplicas de socorro não são ouvidas
E mais uma vez, você aparece
Mais uma vez
Eu estou cansada
O que eu devo fazer?

A.B.C.D.E.

Ultimamente sinto-me um tanto cansada. Não sei responder com exatidão o motivo deste cansaço, mas apenas gostaria de dizer que sinto-me assim diariamente. Também não sei se poderia justificá-lo dizendo que a escola é cansativa, ou que meus problemas estão me deixando exausta, pois seria grotesco e demonstraria uma fraqueza que finjo ser inexistente, mesmo sabendo que é impossível fingir.
Aos poucos, sinto o tempo dilacerando-me. Ao responder um exercício ou uma pergunta simplória, tento fingir que estou contente em saber que meu conhecimento precisa ser reprimido, insuportavelmente. A. B. C. D. E. Marque a alternativa certa. Não vale errar. Se você errar, só provará que não se preparou o suficiente.
Vamos lá. Novamente. Tente de novo. Dessa vez, leia mais. Ouça mais. Faça dar certo. Mas como disse, não vale errar. Não demonstre fraqueza. Mantenha-se saudável até lá.
Sinceramente, sinto que não irei conseguir.

Tempo

O tempo é algo um pouco complexo. Algo que sempre faz com que eu me sinta um tanto pressionada e ansiosa. Quando preciso esperar para um horário chegar... Quando preciso me apressar para um horário não chegar em uma má hora... Quando meus planos se acabam por completo por ter esquecido de tal coisa... É sempre culpa minha. Ou melhor, é sempre culpa do tempo.
Mas, apenar de tudo, é bom saber que existe algo que possa ser utilizado para nossa organização. Não seria horrível ter que depender de outros fatores para saber quando você está ou não atrasado? Agora, por exemplo, ao encarar o relógio, percebo que meu tempo é quase insuficiente... Gostaria de terminar tudo logo, mas por conta da minha irresponsabilidade percebo que minha pressa não é culpa da falta de tempo, e sim culpa da minha falta de planejamento.
Pois é. Eu ainda não pude deixar meus hábitos e manias no passado. 

Coisas que aprendi hoje:
Eu preciso me planejar mais.
Escrever quando não possuo nenhuma distração é muito mais simples.
Não consigo colocar minhas ideias no papel, embora tenha todas em minha mente.
A preguiça é minha maior inimiga.

Death

Perfurando meu peito. Unus. Duo. Tres. Tento implorar, mas é inútil. Está doendo. Talvez eu devesse tentar implorar mais uma vez. É inútil. É sempre inútil. Sempre, sempre, sempre. Vermelho. É a única coisa que vejo agora. Vermelho escuro. Eu sempre deixei claro o meu ódio pelas cores escuras... Pelo escuro. Por tudo que seja escuro demais. Me causa medo, ódio, angustia. Mas está tudo escuro. Está doendo. Eu estou com medo. Tento gritar, mas é inútil. Mamãe não virá mais. Seu corpo está ao meu lado. Seus olhos ainda estão abertos. Será que os meus ficarão também? Talvez eu devesse fechá-los agora... Assim terei certeza que meu cadáver não transmitirá o mesmo medo que sinto neste exato momento. Ainda vejo o vermelho escuro, dessa vez, em maior quantidade. Ele está falando... Falando coisas que nem mesmo eu sei o que significa. Ele diz que a culpa é minha... Talvez seja. Solto um sorriso. E mais uma vez meu peito é perfurado. Quattuor.
Quatro sempre foi o meu número favorito.

Prólogo

"O nosso mestre não consegue mais lidar com essas criaturas estúpidas de modo indiferente... eu me pergunto o porquê"

Os olhos azuis fitavam a cena mais comum de todas, mas sempre havia um toque especial em tudo estes observavam, pois enfeitavam todos os acontecimentos em sua volta, adaptando-os somente para satisfazer os desejos do dono deste tão adorável par de olhos azuis. Caso ele não houvesse este talento natural para enfeitar o mundo em sua volta, a sua vida sera pacata, monótona e sem sentido, assim como a vida de todos os companheiros ao seu redor. Mas, para ele, viver uma vida assim aparentava ser um pesadelo. Felizmente, o jovem encontrou uma escapatória aceitável para fugir deste perigoso fim: dar cor à tudo que vê. Ao invés de ser que nem os outros, que sempre possuíam uma perspectiva rasa sobre suas vidas, o garoto tentava ao máximo trazer um pouco de alegria à esses dias tão pacatos.
Os cabelos da adorável garota cobriam seu rosto de modo delicado, fazendo com que sua aparência angelical ficasse cada vez mais cristalina. Não era como se isso fosse um problema, visto que o jovem garoto parecia estar se divertindo ao observar sua colega dormir de modo adorável. Suas mãos estavam prestes a tocar o rosto da garota para afastar os cabelos de sua testa, mas ele hesitou e logo desistiu de fazer tal ato, com receio de acordá-la. Ainda sim, continuava a observar a menina, sentado ao lado dela, fazendo a ela uma companhia amigável, uma vez que esta sempre implorava para alguém observá-la dormir.
— Por quê?
— Existem passarinhos por toda a parte!
— E o que tem?
— Por favor! Eu não quero ficar sozinha! Apenas... fique comigo, ok?
Não havia mais nenhum vestígio de oscilação em sua face, pois as palavras da menina conseguiram convencê-lo por completo. O garoto assentiu com a cabeça, e, embora seu coração estivesse festejando por dentro, sua expressão era sempre a mesma: indiferença. Não queria deixar explícito que estava alegre em saber que sua presença era mais do que necessária para a garota, apenas continuou escondendo seus sentimentos para si. Era doloroso, talvez fosse extremamente doloroso, mas estava mais do que claro que eles não poderiam ter nada além de uma simples e superficial amizade. Caso contrário, o que aconteceria com os dois? Nem mesmo ele sabia. Só sabia que a consequência disso seria inaceitável para ambos os lados.
Estava se perguntando como alguém poderia dormir por tanto tempo, já que eles nem sentiam a necessidade de dormir. Mas estava agradecendo aos Deuses por ter a oportunidade de observar esta cena adorável. Seus olhos estavam brilhantes, talvez fossem brilhantes por natureza, mas ele tinha certeza que não era este o motivo. Desde que foi acolhido pela adorável garota de cabelos pretos, seus olhos começaram a mostrar um nitidez admirável. Graças a ela, seus dias pacatos foram abençoados com alegria e entusiasmo.
Era uma pena ele não ter coragem o suficiente para agradecer a quem foi responsável por essa mudança repentina.
— Huh? — A menina levantou seu corpo tranquilamente e esfregou suas mãos em seus olhos após dar um bocejo, ainda com um pouco de sono.
— Você pediu para eu cuidar de você enquanto dorme, esqueceu? — O garoto esboça um sorriso tímido, admirado com a doçura da garota. Sorrisos que, embora fossem raros, sempre apareciam quando a menina estava por perto. Ela era a única capaz de fazer o jovem sorrir dessa forma.
— Hã? — Perguntou a garota, ainda confusa e sonolenta.
— Os passarinhos...
— TEM ALGUM PASSARINHO POR AQUI? — A menina se assustou no mesmo instante que escutou a palavra "passarinhos". Seus olhos se arregalaram e ela se levantou, observando ao seu redor de modo desesperado.
O garoto a encarou confuso, mas logo entendeu o motivo de todo o seu desespero. Começou a rir exorbitantemente, fazendo com que a garota percebesse que tudo não havia passado de um simples engano. Começou a rir também, mostrando sua risada doce e tímida que sempre aquecera o coração do jovem. Para ele, todas as atitudes de sua colega eram capazes de trazer um alívio em seu peito, como se toda a sua angústia desaparecesse, mesmo que fosse por um curto período de tempo.
Era uma pena ele não ter coragem o suficiente para agradecê-la...
Era uma pena saber que tudo isso não passava de uma simples ilusão.

Utopia

Liberdade. Soa como uma canção repleta de melodia e satisfação, seria uma pena se também fosse uma palavra completa de utopia, algo que estou muito longe de alcançar. Talvez seja culpa minha, talvez seja eu mesma que estou dando uma pena para mim, mas é inevitável pensar: será que é assim? Será que é assim que as coisas deveriam ser? Será que é assim eu deveria ser? Começar a questionar esses fatores me fazem refletir sobre coisas que não havia pensado antes... Talvez esteja tudo bem. Ou talvez não. Talvez tudo esteja errado, talvez eu esteja tentando esconder algo de mim mesma, mas está tudo bem. Amanhã talvez eu terei algo para dizer, algo que não seja minhas reclamações e reflexões sem sentido. Eu deveria me orgulhar disso?

Twinkle, twinkle, little star

09/01/17
Não é necessário ter uma vida como os outros ao meu redor, é? Eu estaria mentindo se dissesse que estou satisfeita, mas infelizmente eu tenho que mentir. Estou com vontade de ser eu mesma, mas quando estou perto dos demais sinto que preciso fingir. Fingir e encontrar uma personalidade menos esquisita possível. É um pouco torturante... Mas eu estou tentando fugir disso. É idiota, não é? É idiota demais, eu sei, mas eu simplesmente não aguento mais.

Coisas que aprendi hoje:
Nada muito relevante, eu acho.
A música definitivamente é uma das melhores coisas que existe.

Prisão

08/01/17
Estou um pouco cansada. Não sei se é nítido, mas é a verdade. Talvez eu esteja cansada da rotina monótoma e cansativa. Enquanto eu observo o céu lá fora, me pergunto se isso será a única paisagem bonita que verei neste verão. Me pergunto se serei capaz de usufruir um pouco mais do lá fora, nem que seja um pouquinho. Estou um pouco cansada da mesma rotina. É cansativo. Eu realmente não sinto que isso mudará. Isso é a única coisa que verei neste verão? Mesmo? Sinto que irei me despedaçar a qualquer momento... Eu quero gritar. Eu realmente quero gritar. Mas isso resolveria? Eu só quero usufruir um pouco do mundo lá fora... Por quê? Por que eu não posso? É tão difícil assim?
Eu estou perdida. Perdida no tempo, perdida em todos os sentidos. Tento me encontrar, mas não acho saída. É tudo muito escuro. Estou com medo, mas tento ao máximo fingir que está tudo bem. Logo encontrarei aquilo que estou procurando... O que, afinal? Eu não faço ideia. As coisas aparentam ser complicadas, tudo em si é muito complicado. Estou tentando fugir, mas não consigo. É como uma prisão. Sim, uma prisão. Uma prisão sem escapatórias. Sinceramente... eu estou cansada.

Coisas que eu aprendi hoje:
Nem tudo o que eu leio é verdade, as pessoas sabem como mentir.
Perdoar é essencial.
Qual é a diferença?

Esforço X Inteligência

Uma vez ouvi algo que despertou-me uma enorme curiosidade. Disseram que uma criança que é elogiada com adjetivos similares a "esforçada" ou "dedicada" tem um desempenho consideravelmente maior comparado à uma criança que passou a sua vida inteira ouvindo coisas como "inteligente" ou "talentosa". 
Analisando friamente, isso faz sentido. Total sentido. Uma criança que é esforçada não tem talento nenhum. É puro esforço. Dedicação. É passar horas e horas encarando um livro. É estudar e analisar o conteúdo estudado. É se esforçar. 
Mas com uma criança "inteligente" ou "talentosa", isso não acontece. Inteligência é um dom, um presente divino. Ela nasceu assim. É natural. Não é necessário gastar horas de sua vida para estudar e rever o conteúdo, ela apenas sabe. O que é complicado para um esforçado pode ser simplório demais para um inteligente.
No final das coisas, uma pessoa esforçada não se sentirá intimidada tirando uma nota insatisfatória. A nota que ele tirou é apenas um motivo a mais para esforça-se na próxima vez. 
Agora imagine a hipotética situação: uma pessoa que sempre foi elogiada por todos ao seu redor como inteligente, mesmo sem nenhum esforço para atingir isso, faz uma prova e acaba tirando uma nota que não é satisfatória. Ela irá se sentir arrasada. Como se todos os elogios já direcionados para si fossem uma farsa. O seu ego é sensível demais para suportar tamanha dor. 
Acontece que, depois de analisar essas situações, percebi que não fazia a mínima ideia sobre qual dos lados eu mais me encaixava. Inicialmente, achei que fosse uma pessoa esforçada. Mas, no fim, percebi que sou apenas uma pessoa "consideravelmente inteligente, mas nem tanto".
Uma vez ou outra alguém elogia meu intelecto. Algo espontâneo. Agradeço e me sinto feliz. Sinto-me realizada. Mas será que isso é mérito meu? Será que eu mereço mesmo receber um elogio como esse?
Eu acredito que eu nunca fui uma pessoa realmente esforçada. Nunca fui de revisar conteúdo, de estudar para provas. Na verdade, nunca estudo para provas. Ou nunca estudava, pois agora estou tentando contornar a situação, pois sinto medo de ser considerada apenas uma pessoa inteligente. Gostaria de ter um elogio como "esforçada" ou "pessoa dedicada". Mas, para falar a verdade, sei que não mereço. Sou apenas uma pessoa inteligente e nada mais.

Declaração

De: Lilian
Para: mãe

Um amor simplório, porém sincero
Não é efêmero, temporário
Consegue ultrapassar os limites daquilo que chamamos de compaixão
Tem uma dose maior de carinho, de afeto
E consegue transformar uma vida cinza em uma explosão de cores
Um amor verdadeiro, autêntico
O amor de mãe

Desde pequena nunca soube como dizer
Tudo aquilo que penso, sinto e vejo
Mas agora, neste exato momento,
Poderei dizer naturalmente
O quanto eu a amo

É como a mais bela rosa de um jardim
Como uma estrela gigantesca brilhando vigorosamente em uma noite sombria
O amor que sinto
Graciosamente, ele brilha
Tornando tudo mais claro para mim
O túnel estava escuro demais
Mas graças ao seu amor caloroso, pude sair com êxito

Gostaria de te agradecer diariamente
Mas sou impossibilitada
Minha sinceridade limita-se a minha escrita
É onde eu posso depositar todos os meus sentimentos com franqueza
Por conta disso, estou aqui, agora
Para dizer apenas uma simples frase

Eu te amo
Como uma pequenina árvore
O amor cresce gradualmente
Preenchendo cada espaço vazio em meu coração maculado

Gostaria de dizer que te amo
Posso repetir quantas vezes for necessário
Mas gostaria de deixar claro
Meu amor por você é único e sincero
Obrigada.

Com amor, Lilian.

Longe demais, demais...

Feche os olhos. Tente imaginar aquilo. Aquilo. Árvores gigantes enfeitando um jardim coberto de flores brancas que estão sendo abençoadas por um arco-iris? Soaria clichê demais? Mas eu seria capaz de pensar em algo mais amplo? Utilizar a intertextualidade soa um desafio para mim. Gostaria de conhecer o inimaginável, mas na verdade vivo em um mundo completamente diferente. Existe nele uma grande tela pintada de preto, com pinceladas bruscas e mal feitas. Nele também existe uma janela gigante que reflete de modo simples e dinâmico uma paisagem que nunca mudou. Eu quero que ela mude. Quero pintá-la de azul, amarelo, preto, rosa, roxo, laranja. Azul e verde. Azul e amarelo. Azul e marrom. Mas por que não consigo? É uma espécie de castigo? 
Gostaria de esticar mais minhas mãos para o céu e ser capaz de fazer grandes pinceladas. De jogar fora todos os prédios e paisagens genéricas e enjoativas e ser presenteada por lugares encantadores diariamente. De poder observar todas as noites as gigantes esferas brancas no fogo negro. 
Estou longe.
Longe o suficiente para ser considerada uma desaparecida.
A diferença é que ninguém nunca percebeu que sempre estive longe demais.

©